Testemunhos

Marta Santos

Com as sessões da Novamente,  senti que não sou a única a ter problemas. Consegui aprender a ter muito mais paciência.

Gostei do convívio com as pessoas do grupo.

Consegui ser mais organizada! E tomei consciência das minhas capacidades/competências, coisa que me tinha esquecido completamente depois do acidente.

Ana Maria Pinto

Eu pessoalmente gosto de participar nos encontros. Para mim é tao importante, que não marco nada para o dia das reuniões. So falto em caso extremo. Apesar do meu TCE não ter consequências físicas aparentes, necessito de ajudar quem ficou em piores circunstancias. Criei amizades, sinto que já não prescindo das reuniões, porque consigo libertar-me. Sinto me bem, gosto da companhia dos outros. Como pessoa de fé, Deus é meu Amigo. Como este acontecimento, a minha vida alterou-se completamente. Gosto dos colegas, dos formadores e da maneira como decorrem as reuniões. Temos bons temas para discutir abertamente e falamos dos nossas experiencias mais particulares. Criamos amizades entre nos. Não consigo exprimir por palavras o que sente o coraçao.

Obrigado a todos.

Joaquim Ferreira

Eu tenho vindo a frequentar as sessões da Novamente assiduamente nos últimos 5 meses e tenho a dizer que têm sido sessões muito gratificantes não so para mim como penso que para todos os colegas. Sinto que quanto quando venho ca, fico melhor comigo próprio, esqueço por momentos que tive um TCE e também gostei das actividades realizadas, nomeadamente as apresentações de trabalhos de alguns colegas e do trabalho apresentado pelo Dr. Rui sobre a esquizofrenia. Tenho pena de ser de bastante longe e apos a minha estadia no CRPG, não possa vir mais.

Espero que este projeto continue, porque falta existir algo assim, sempre prontos a ajudar.

Testemunho da Rita Godinho na Rádio Estrada Viva

Oiça aqui o testemunho da Rita Godinho na Rádio Estrada Viva

Vitor – “….com o carinho de todos e com a equipa médica que apanhei consegui superar…”

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No dia 18 de Maio de 2010 conduzia a minha mota, levando como destino o meu trabalho, quando um camionista não parando num Stop me levou de rastos, passando com camião por cima de mim e da minha mota.

No local do acidente fui logo reanimado entrando de seguida em coma.

Foram 2 meses de muito sofrimento para minha família onde nunca me abandonaram.

Durante esses 2 meses tive várias complicações, meningite, epilepsia e durante os primeiros 15 dias o médico dizia que se eu me salvasse iria ficar um vegetal.

Mas com o carinho de todos e com a equipa médica que apanhei consegui superar.

Quando sai dos cuidados intensivos fui para os intermédios, estive cerca de 1 semana porque tive uma recuperação fora do normal.

Quando fui para a enfermaria tive de aprender tudo de novo, comer, falar, andar e começar a reconhecer as pessoas por exemplo à minha mãe chamava lhe avó.

Em Julho fui para o Hospital dos Lusiadas onde estive ate dia 2 de Agosto.

Dia 2 de Agosto fui para Alcoitão onde estive até 26 de Novembro de 2010.

Em Alcoitão foi o meu maior desafio de fazer fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional foi uma grande ajuda na minha recuperação onde minha mãe esteve comigo todos os dias ate a hora de me deitar.

Quando deixei Alcoitão tive várias dificuldades como deixar algalia que tive durante 7 meses.

Já fora de Alcoitão ia dia sim dia não fazer ambulatório a Alcoitão.

Depois tive que começar a fazer actividades sozinho como hidroterapia e fisioterapia.

No inicio tinha medo de andar na rua, mas com a ajuda de todos consegui superar tudo.

E foi quando conheci a Associação Novamente através da Vera.

A Novamente tem-me ajudado a superar vários problemas que tenho e quando tenho reuniões venho mais confiante.

Nas reuniões convivo e consigo dar-me com pessoas que têm o mesmo problema que eu, mas espero continuar a melhorar

Vitor Hugo, sobrevivente de Traumatismo Crânio Encefálico

Rita Godinho

Tenho 42 anos tive o TCE c/ 28 anos, estou reformada por invalidez do Millennium BCP desde 2005, trabalhei desde 1994.

A minha história como sobrevivente de TCE começou em 12 de Maio de 1999 quando um acidente de viação de que resultou um TCE, que me colocou em estado de coma profundo durante 12 dias.

Embora as minhas recordações sejam desconexas, fui tentando “Misturar” o que  realmente me recordo com o que me foi relatado, a confusão por vezes é grande.

Certo é porem que as recordações mais vivas remontam ao período anterior a 1997.

Tudo o que me recordo são Flashes imediatamente anteriores ao acidente, e imediatamente posteriores ao mesmo (enquanto o meu cérebro não apagou) embora pessoas credenciadas (medica anestesista) me assegurem que entrei de imediato em coma.

O meu internamento de socorro foi feito no hospital de Sta. Mª.

Depois de 2 episódios de alergia à penicilina (ocorridos em Stª Mª) que quase me mataram, aconteceram logo após a saída de coma.

Transitei para o Hospital da CUF, onde começo c/ fisioterapia diária, nesta fase há também um grande investimento familiar de estimulação sensorial.

É na CUF que começam as recordações pós TCE.

Da CUF transitei para o Centro de Reabilitação de Alcoitão (Outubro de 1999) de onde tive alta em Março de 2000.

Onde prossegui c/ tratamentos em regime ambulatório.

A fase depois de Alcoitão passou pela Fisiológica(clinica coordenada pela Dra. Cristina Soares).

Eu fazia mto bem o meu trabalho, como tal no período pós TCE as portas não se fecharam por completo, e tentei voltar ao Banco e voltar a estudar mas eu que estava a estudar Direito (4º ano na FDUL) trabalhava na sucursal Novarede Alvalade por estar perto da Cidade Universitária.

Sei muito pouco do trabalho burocrático sem contactos proactivos c/ clientes.

Desenvolver novas competências, talvez fosse possível se a aprendizagem fosse acompanhada..

Afirmo com alguma certeza, que c/ calma pós TCE conseguimos encontrar estratégias para chegar aos fins pretendidos, conseguimos aprender coisas novas.

Mas pós TCE sou colocada nos serviços centrais do Banco no Taguspark, e como é obvio as pessoas preocupam-se em manter o seu trabalhinho não é prioritário o “serviço social”.

Penso que o Ministério do Trabalho deveria dispor de equipas multidisciplinares (a requisitar pelas empresas quando necessário) que soubessem ouvir/avaliar os sobreviventes de TCE .

Existe um curto espaço de tempo durante o qual ainda se pode salvar alguma coisa do nosso disco rígido e retomar mesmo que parte da nossa vida, no meu caso pessoal, sei que tinha muito mais agilidade mental 1 ou 2 anos depois do acidente do que agora.

Retomando a historia:

Achando que a minha recuperação não podia ter acabado,  e por ser muito teimosa, tanto procuro por uma saída que “ me aparece Cuba/Cirene”!?!?

Falo do assunto ao meu marido e nesse ano(2000) vamos a Cuba de férias, c/ uma consulta de avaliação marcada na Clinica.

Nessa consulta falam-me numa recuperação em 3 meses(!?!), obviamente regresso a Portugal e a todas as portas bati .

Em Novembro de 2001 parto para Cuba onde estive 7 meses.

Quando parti para Cuba já ia a andar, lá  aperfeiçoei a minha marcha e vivi num clima tropical com todas as vantagens e inconvenientes.

Muitas expectativas deram em muito pouco.

Como tinha referido já, foi tentada a minha reintegração laboral , em 2000 (ou seja antes do milagre prometido por Cuba) mas em moldes a meu ver desapropriados.

Fui “largada” sem competências numa realidade que me era estranha por completo.

Depois de muitas fusões e refundações após 3 anos muito atribulados peço para ser reformada .

E assim passados 14 anos já não sobrevive muito da Rita antes do TCE

Quando me perguntam porque insisto em ir ás reuniões da novamente a minha resposta é tal como os macacos que são semelhantes mas não misturam espécies também. eu me sinto bem junto de pessoas que sentem o mesmo que eu.

Na sociedade em que vivemos uma mulher deficiente de 42 anos não pode ensinar nada a ninguém pois todos se acham imunes ás ocorrências fortuitas, contudo entre pares é diferente……

Deolinda, amor de mãe

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A vida nem sempre permite escrever, por vezes o desânimo é tanto que acho melhor não escrever do que dizer o que não gostam de ler e por vezes é o que mais apetece é dizer o que nos vai na alma, mas como sempre prefiro guardar para mim o menos agradável, a maior parte das vezes o coração está sangrando mas dos lábios sai um sorriso, um sorriso que não deixa transparecer o que vai cá dentro,sim porque ninguém tem culpa do que nos vai na alma, considero-me forte,nem sempre assim é, por vezes vou abaixo, mas raramente alguém nota esse enfraquecimento, nem os que estão tão perto de mim dão por isso,choro!…Sim choro muitas vezes, oh quantas vezes choro, mas sempre no silêncio do meu quarto, por isso todos dizem que “guerreira”, “que mulher forte”, “como consegue estar sempre bem disposta”, “como consegue sobreviver a tal desgraça”, o certo é que tenho conseguido, eu também pensava que se algo assim tão drástico entrasse na minha vida não conseguia ser corajosa a este ponto, eu também achava que não conseguiria aguentar tal dor, mas o certo é que tenho conseguido e tenho ultrapassado tantas coisas más, a minha infância nunca foi famosa, fui privada de tudo, até de ser amada por meus pais ou familiares, fui crescendo, tive algumas amizades, tenho algumas recordações da minha adolescência, mas são só recordações, por vezes sonho com certos momentos que passei, bons momentos, revivo-os como se estivessem presentes, lembro as pessoas e gostava de rever algumas, mas não passa, de recordações e de sonhar estar nesses momentos, apenas sonhos, casei, tive filhos, acabei por os criar sozinha, tentei dar-lhe muito mais do que me deram e dar-lhe o melhor que conseguia, dei-lhes o melhor que consegui e estou de bem comigo, não conseguia fazer melhor, mas apesar de estar satisfeita porque nunca me deram desgostos de serem más pessoas e más influencias, sempre se portaram bem, nunca tive queixas de que maltratassem alguém nem que fossem mal criados com alguém, mas eles não pensam de mim o mesmo, queriam mais de mim, talvez não seja meiga nem carinhosa, talvez não lhe dissesse amo-vos, mas toda a minha vida foi dedicada a eles e estive e estou sempre com eles, trabalhei arduamente para lhes dar o essencial, e dei o que muitos com pai e mãe não têm, sempre que precisaram e precisam aqui estou eu presente, a minha vida é dedicada só a eles, deixei de ter vida própria, deixei de pensar em mim como ser humano, desde há 20 anos vivo só para eles, deixei de amar, de passear, de ir ver o mar, de dançar e de há mais de um ano a esta parte até deixei de sair, tudo em beneficio dos meus filhos, a vida não permite, poupo, poupo, mas ainda conseguimos ter dinheiro para comer no dia a dia, mas olho e que vejo eu da minha vida!… Da minha vida como pessoa, sem pensar neles e pensar em mim, nada vejo, nada sinto, a tristeza toma conta de mim, cada dia me sinto mais triste, mais metida comigo, mais sem vontade de sair, sem vontade de ver pessoas, sem vontade de conviver e até sem vontade de fazer o que mais gostava de fazer na vida!… DANÇAR!… Gostava tanto de dançar, gostava tanto de rir, gostava tanto de ser feliz, gostava de tanta coisa que não fiz, de tanta coisa que não vivi.
Mas a vida é assim temos de fazer opções e eu fiz a que achei melhor e vivi e continuo a viver para os filhos, o único sonho para que vivo e quero muito que seja concretizado é o sonho do meu filho David, (voltar a andar sozinho) sei que vamos conseguir e quero muito que a doença da minha filha não se desenvolva negativamente, ela tem uma doença incurável, (Esclerose Múltipla), dois anos após o acidente do David, a minha filha deu entrada no Hospital São José com dores de cabeça, esteve ligada às máquinas no mesmo serviço e na mesma cama em que o David deu entrada, com a diferença que o David estava em coma e a minha filha acordada e saiu ao fim de 20 dias com este triste diagnóstico. Já lá vão 10 anos, lutas contra todos os diagnósticos e fomos contornando obstáculos e continuamos a contorná-los, o meu filho vai melhorando e peço muito a Deus que me alivie e não permita que tenha de viver o resto de todos os dias da minha vida a ajudar a dependência física dos meus filhos. Acho que Deus me vai dar um pouco de sossego e os anos já não me deixam ter a força que tinha, as forças vão faltando, cada dia me sinto com menos forças e cada dia mais me recolho no sossego do meu lar.

Mas eu só quero que meu filho volte a andar sozinho, quero muito isso e trabalhamos arduamente para que isso seja uma realidade.
Há dias conheci a associação novamente e acho-os fantásticos no pouco que já lidei com eles, são muito positivos e sempre muito preocupados em nos ajudar e saber que estamos bem, em saber se  os encontros estão a dar bons frutos e estão mesmo, sinto-me mais acompanhada, que bom que tem pessoas que se preocupam com quem está debilitado de tanto sofrer e saber mais sobre o que afectou o meu filho esta a ser bom. Obrigado a todos vós e o meu filho começou de novo a  fazer Fisioterapia e já convivemos mais um pouco e estamos menos metidos connosco mesmos.
Foi apenas um desabafo,por vezes precisamos dizer o que nos vai na alma e no coração,tenho pouco momentos de tirar para fora, sempre vivi a esconder o sofrimentos para me proteger.
Apesar de tudo sou feliz,triste,mas feliz e agradecida a Deus que nunca me abandonou.

Deolinda, cuidadora de um sobrevivente de TCE

Nunca acontece aos outros….

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“Nunca acontece aos nossos. É o que pensamos, virando as costas à mera possibilidade de a tragédia nos bater a porta.

Era também o que pensávamos até ao dia 1 de Setembro de 2011, dia em que o Gonçalo foi vítima de um grave acidente de viação. A sua única culpa foi a de estar no sítio errado à hora errada, e desde esse dia encontra-se em camas de hospitais, Centros de reabilitação, mesas de operações…numa luta pela vida que se está a revelar a mais penosa e desesperante de todas as lutas.

Em segundos a sua vida foi injustamente interrompida e a da família completamente virada do avesso, transformada num autêntico pesadelo, de que nunca mais se acorda. Ninguém pode imaginar a tortura que temos vivido (só quem já a experimentou). Tudo o que possam imaginar, ou tentem imaginar, acreditem é muito pior.

Lutamos há longos 16 meses com ele e por ele, pois o nosso filho era e é fantástico! É um verdadeiro guerreiro, mantém a sua energia brutal, a que sempre o caracterizou e luta contra o mais cruel que o destino lhe reservou.

Contra todas as expectativas, diagnósticos e prognósticos, o Gonçalo tem sobrevivido, tem lutado e ultrapassado as mais duras etapas.

E vai continuar e nós também. Desistir do nosso filho, nunca, pois sabemos que ele também não desiste, sempre foi muito teimoso o nosso Gonçalo!

Só que esta causa é grande demais, penosa demais e frustrante a cada dia que passa e infelizmente este nosso país nada mais consegue fazer pelo nosso filho!

O Gonçalo não terá muito mais tempo para continuar a lutar…Apenas mais uns meses, até que as probabilidades se virem contra ele e contra todos nós. O que acontecer nestes próximos meses serão decisivos para que ele recupere a sua consciência e regresse para junto de nós.

Para isso é necessário que continue a ter acompanhamento médico especializado, todas as terapias disponíveis e seja novamente intervencionado, a nona cirurgia, a segunda em privado, já que o serviço nacional de saúde desistiu dele cedo demais.

Gostaríamos de lhe dar todas as hipóteses que ele merece, de procurarmos ajuda em Espanha, ou no Reino Unido, pois chegam-nos testemunhos de excelentes tratamentos em problemas de dano cerebral, com elevadas taxas de sucesso em reabilitação. O Gonçalo sofreu um TCE muito grave e continua em estado de consciência mínima, ou semi-coma.

Sucede que já não há mais bens, nem jóias para vender. Já não há mais cintos para apertar, nem mais privações que possamos passar em função deste objectivo. Toda a família atingiu o seu limite de sacrifício, correndo-se agora o risco de o Gonçalo …esperar um fim que nos parece a todos cedo demais, cruel demais…

Os processos judiciais são demasiado lentos para salvar o Gonçalo e ele depende hoje, da ajuda que instituições, pessoas e empresas possam e queiram dar para que também esta vida não se perca, pois ele merece, o Gonçalo era um miúdo incrível e tinha apenas 20 anos na data do acidente…

Sabemos que o povo português acorre nas circunstâncias mais incríveis e revela uma extraordinária generosidade para com o próximo. Por isso fazemos este apelo, urgente. Os gastos com o Gonçalo ascendem nesta data a mais de € 8.000,00/mês, que já não conseguimos suportar. Toda a ajuda é um sopro de esperança, a esperança na reabilitação e na sua qualidade de vida.

Que mais podemos dizer, que somos pais de um jovem, que muito amamos, que tinha tudo para ser feliz, cheio de vida e de sonhos, mas a quem o destino pregou uma partida incompreensível e inaceitável.

Por isso procuramos toda a ajuda possível, tentando que o Gonçalo tenha direito a viver uma vida plena, pois não conseguimos aceitar nada menos que isso, ou pelo menos de tudo termos tentado. Ele é um lutador e nós também!

Esperamos, com a mão estendida, com urgência, cheia de esperança, pela ajuda que este apelo possa angariar, com a nossa eterna gratidão.

O nosso muito Obrigado, em nome do Gonçalo. “

Sandra – Mãe do Gonçalo (sobrevivente de TCE)

Zé Maria & Eduardo

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“Múrcia (Murcia, em castelhano) é um município da província de Múrcia, na comunidade autónoma da Região de Múrcia, na Espanha. Possui uma área de 881,86 quilômetros quadrados e uma população de 422 861 habitantes (2007), com densidade populacional de 450,61 habitantes por quilômetro quadrado.

MÚRCIA já começou com bela onda, o Eduardo é um belo aparecimento, é o apoio que eu precisava!

ganhei um amigo.

regresso

Acessibilidades

Espaço

Falar assim em abstracto é vago.

Ruas largas, avenidas, espaços altos.

Parece que desde que sofri o acidente que passei a ver com outros olhos.

Andar de cadeira de rodas tornou-me mais atento para estas questões.

Todos precisamos de espaço, pense em si no metro em hora de ponta ou num estádio de futebol e diga.

Pense no mar, numa praia vazia, no céu, num sonho!

Estive em Múrcia a trabalhar sobre isto com gente paraplégica e é brutal a distância hoje de nós.

Parece discurso de emigrante.

Murcia é, hoje em dia, a cidade com mais preocupações da península Ibérica à volta deste tema.

Mesmo numa cidade com muitas preocupações sobre matérias como esta (as WC’S adaptadas são outra preocupação neste âmbito); sentimos dificuldades numa cadeira de rodas.

A gente com dificuldades motoras merece uma revolução como as houve de género e racial, não se dá por esta gente que são muitos – ‘um em cada dez pessoas’, OMS, 2002 -proponho um exercício: amanhã vais estar atento, proponho que ou repares nas pessoas em cadeira de rodas ou ainda, melhor, repares nas dificuldades que esta gente sofre.

A simples ideia das rampas em todo o lado.

Escadas não é fácil.

Passeios baixos.

Murcia em MAIO foi…

…foi um passo à frente neste momento, muito específico, do meu estágio de vida (como lhe chamo… tenho a vaidade de confiar com muita força no existir).

Este espaço e tempo de Murcia em Maio serviram-me (‘ajudar os outros, ajuda-nos! ’) como forma de construir uma etapa importante e perceber que há um grupo em cadeira de rodas que está escondido/é invisível; ainda não encontrei uma palavra que se adeque a este estado: deficiente (encontrei gente esmagadoramente ‘eficiente’ em cadeira de rodas), incapaz (sejam tão capazes de aproveitar e priveligiar o estar vivo passando o dia sem poder levantar o rabo da cadeira como certas pessoas que conheço) e outros…

Murcia tem preocupações de futuro, vi mais gente com problemas de mobilidade (em cadeira de rodas) que, normalmente, nos espaços por onde ando e tenho andado por meios muito especifícos, em 2012.

Murcia é exemplar.

Nasceu este SVE em Murcia de uma procura de um projeto que lidasse com a situação em que me encontro (sofri um TCE (Traumatismo Craneo Encefálico), não ando, sem apoio de cadeira de rodas e não falo (ou digo vogais com um tom encantador)).

‘Irreverência‘ foi o que a Rota Jovem me ensinou desde que fiz um projeto Leonardo da Vinci em Berlim em 2006.

E ‘irreverente’ foi este projeto.

De tal maneira foi bom esses quatro meses em Berlim que queria fazer algo novo mesmo depois do acidente, sabendo que, necessariamente, seria diferente.

Logo, precisava de um apoio e de um projeto que me desse alguma segurança.

Depois, havia uma necessidade que parecia desde o início jogar contra isto e que pode parecer banal, mas não é: a necessidade que existe numa relação terapêutica de soltar amarras, a pessoa/a corda que nos dá segurança quer que nos soltemos dela mesmo.

Um pouco como os pais e professores fazem com filhos e alunos, preparam-nos para voar.

Foi um projeto-pioneiro, irreverente.

Encontrámos Murcia faltava compreender que género de projeto iriam ter para mim.

Era necessário alguém que me quisesse apoiar.

Tentámos o mais óbvio, alguém que fosse aluno de enfermagem ou fisioterapia estivesse submetido a um estágio curricular, o SVE (Serviço Voluntário Europeu) cobria as despesas e daria apoio ao Ayuntaimento na Sección de La Juventud de Murcia e ainda a um centro – o ASPAYM, Murcia:

http://www.aspaymmurcia.org/ – uma Associação de Paraplégicos e Grandes Incapazes Fisicos da Câmara Municipal de Murcia. Não resultaram as várias abordagens.

Encontrámos um achado, o Eduardo S.!

Alguém que desde o inicío me fez ver o raio de luz que entra pela janela ao longe e fugir de mim e do acidente.

Ele é um licenciado em cinema, um city-tour guide, um cozinheiro, um expert em powerpoints, um jardineiro; ele é o Eduardo!

‘La Asociación de Parapléjicos y Grandes Discapacitados Físicos (ASPAYM) de La Comunidad Autónoma de Murcia tiene como seña de identidad, trabajar para mejorar las condiciones de vida Del colectivo de personas con discapacidad en general, y lesionados medulares en particular. Para ello, cada año, renovamos nuestro esfuerzo con programas y actividades en las que participan nuestros socios.’

Além disso, dei apoio linguístico na web da página do ‘Ayuntamento, sección de La Juventud de Murcia’ (uma secção da Camara Municipal).

Murcia são sorrisos, ‘a vida deve ser encarada não como um direito, mas como um privilégio’ (filme ‘hotel marigold’).

A Maria do M. foi uma pessoa paraplégica que chegou sem se notar mas que vincou ser Alguém importante em conhecer, no seu cadeirão com a Luna (a cadela), correndo ao lado, vincou ter uma alma Enorme.

Ola e hasta luego

OLA banzao-sintra.

Ola e hasta luego são duas formas simples de obrigar boa disposição e dar sorriso fácil ao outro.

Não que seja preciso obrigar, mas suscitar esse cuidado.

Ninguém é mais giro maldisposto.

Somos todos mais giros bem dispostos.

HASTA-LUEGO Murcia!!!

Mediterrâneo playa, los narrejos

Round one: dps do engate habitual à entrada da água.

Pergunta a Vanessa de oito anos ao Juan de oito anos também:

‘queres ser meu amigo?’

‘vale!’ diz o Juan.

É fácil nascer a amizade…

Round two: a vanessa é a verdadeira predadora da amizade.

Passado pouco tempo lá está ela empoleirada na prancha de bodyboard do seu novo amigo enquanto ele a puxa pelas ondas e ela gaba-se para quem passa:

‘o Juan é o meu novo amigo’ (como podem ver, digo eu).

Foi um primeiro passo pela Rota Jovem, Cascais, Portugal, um projeto nesta área que, na minha opinião teve bons resultados e deve ser repetido com outra gente.

Esta ideia foi um passo arriscado, mas que se revelou firme.

‘Pelo sonho é que vamos’ (Sebastião da Gama) parece sobressair deste ‘Maio em Murcia!”

By Zé Maria B.

João Figueira – Sobrevivente TCE

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O João Figueira é um jovem sobrevivente de TCE, consequência de um acidente de viação.

Em 2007, o João e mais dois amigos resolveram arrancar com um projeto denominado “Travões, trambolhões e muitas complicações”. Este projeto é um programa de educação rodoviária virado para alunos e estudantes de diferentes estabelecimentos de ensino, por se tratarem de camadas sociais que adotam por vezes comportamentos de risco na estrada e dão azo a acidentes de viação.

Após percorrer vários estabelecimentos de ensino em Portugal, o programa chegou a Moçambique (cidade da Beira, província de Sofaia) e tem como principais objetivos: a promoção e incrementação de normas de conduta nas vias públicas, aclaração de riscos e traumas que resultam de sinistros rodoviários, bem como os métodos de atuação em emergência no que diz respeito à prevenção e socorro. Tem ainda como outros objetivos: a identificação das principais causas de sinistralidade na estrada, consciencialização do público-alvo para a necessidade de conhecer as suas capacidades e limitações no papel de utentes da vida pública e sensibilizar através do conhecimento de experiências reais.

O João dá o seu próprio testemunho da experiência que passou quando há 13 anos ele e uns amigos conduziam sob o efeito de álcool, sofreram um acidente e o próprio ficou hospitalizado durante um ano. Começou de novo a acreditar e iniciou a sua reabilitação.  Hoje em dia abraçou este projecto como um projecto de vida para chegar a cada vez mais jovens e estes terem conhecimento da sua experiência num acidente de viação, bem como as consequências graves e pesadas decorrentes do acidente.

 

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