Testemunhos

Leia o testemunho do Bruno Canha, um exemplo de luta!

“Olá, eu sou o Bruno Canha, e à poucos dias deram me a conhecer a página www.novamente.pt . Esta página é da associação novamente, uma associação de apoio aos sobreviventes de TCE (Traumatismo Crânio Encefálico) e suas famílias e com este testemunho vou falar por poucas palavras o que me aconteceu num acidente muito grave…
No dia 25 de Fevereiro 2007 cheguei a casa, fim-de-semana de férias, e decidi ir dar uma volta de mota (CRF 450R). Vesti o equipamento de MotoCross e fui para uma propriedade que já conhecia bem e onde os meus pais estavam com pessoas conhecidas. Ao entrar na propriedade, e já a chegar perto do ponto de encontro, não sei o que se passou, mas foi quando cai e fui embater num 4×4, na bola de engate que entrou dentro do capacete e embateu nos óculos de MotoCross, o impacto abriu um buraco na cabeça, cabia dois dedos de largura…… O INEM chegou muito rapidamente e logo ali foi uma grande luta. O caso já estava tão complicado que o Doutor do INEM mandou vir o Helicóptero do INEM para o local. O INEM e os Bombeiros trabalharam de uma forma exemplar, mas o caso não ia muito bem, então fui directamente para o Hospital de Santa Maria.
Já no Hospital, fiquei a saber que tive um Traumatismo Crânio Encefálico, entre outras sequelas.
Nunca me fui a baixo psicologicamente e sempre me puxei para cima. No meio de tudo isto temos de ter força e confiar na equipa que nos assiste no dia-a-dia. Mas sim DEUS existe, e os meus PAIS sempre estiveram a meu lado todos os dias, e os amigos. Que agradeço muito pela luta…”

Por Bruno Canha

“TCE – o que é? Algumas considerações…”

Leia o trabalho de pesquisa elaborado pelo Salvador A. Rabaçal Dias. Este trabalho aborda vários tópicos sobre o Traumatismo Crânio Encefálico (TCE): o que é?; dados estatísticos; tipos de  TCE; etc.

TCE – o que é? Algumas considerações…” por Salvador A. Rabaçal Dias

Leia os testemunhos de sobreviventes de TCE da associação Headway (Irlanda)

12/09/2011

Pode ler poemas e textos escritos por sobreviventes de Traumatismo Crânio-Encefálico (TCE) da associação Headway (Irlanda). Cada um deles reflecte a sua própria experiência como sobreviventes de TCE neste E-book.

E-Book
(texto em inglês)
Fonte: Headway (Irlanda)

Testemunho – Salvador Rabaçal – Sobrevivente STCE

07/09/2011

No facebook, num fórum de discussão iniciado pelo Salvador Rabaçal, alguém respondeu a uma questão da seguinte forma:

Pessoas com um TCE, não são APENAS pessoas que tiveram azar … são pessoas que lutam por si próprias em pormenores que aos outros sai de borla!
São pessoas que passaram a dar um valor à vida de uma forma bem diferente.
São pessoas que passaram a saber quem os ama e não larga, luta, sofre e alegra-se com eles! (…)

O Salvador respondeu:

Eu revejo-me em toda e qualquer destas palavras.
Na minha qualidade de uma vitima de um TCE, e em relação aos que “NÃO NOS ABANDONAM”, tenho talvez, uma quota parte de responsabilidade por… aquela que eu já tinha escolhido para me acompanhar durante a minha vida inteira, ao fim de 15 meses, me ter abandonado…
Mas…, falemos de coisas agradáveis!
A minha “santa” mãe que foi e é quem me tem sempre acompanhado nesta luta, é a pessoa que com a belíssima idade de 69 anos e tem sido incansável. Alem disso, o facto de eu ter começado a trabalhar cedinho, com 12 anos(nas férias do Verão e aos fins de semana) fez com que eu tivesse muitos Amigos. Isto são factores que me enchem de orgulho a… publicar!
Mais, tenho-lhe a dizer que além de me ter privado da capacidade de fazer marcha autonomamente, afectou-me a memória que eu classifico como “memória imediata” pois, lembro-me com facilidade de coisas que se passaram na minha vida passada, no entanto, coisas que se passaram ontem, por exemplo, não sou capaz de me recordar.
Ainda relacionado com os Amigos que tenho, eles têm sido bestiais pois têm mostrado sempre vontade de me ajudar, naquilo que eu solicitar, muitas vezes, o problema é que sinto-me constrangido de estar sempre a solicitar as diferentes coisas que me são necessárias.
Depois do acidente que me vitimou, eu comecei a ser mais “selectivo”, nas Amizades que faço e, tento sempre mantê-las, mas…, acho que isso “está-me no sangue”, pois eu antes deste acidente que me vitimou era um agente da PSP, que me encontrava ao serviço em embaixadas e residências de Embaixadores estrangeiros, em serviço no nosso país e, residências de alguns membros do nosso Estado (ministros), e estou a fugir ao tema…, como eu estava a dizer, os meus Amigos têm sido incansáveis e no Centro de Reabilitação de Gaia (CRPG), encontrei um apoio que me deixou impressionado pela positiva pois, desconhecia que em Portugal havia gente tão, tão capacitada e disposta a ajudar casos, em parte semelhantes ao meu, se bem que convêm ressalvar que “cada caso é…, um caso”.
Eu, era uma pessoa cheia de dinamismo, basta dizer que passei 21 meses a servir a bandeira do meu país no Exercito Português, e apenas estive 18 meses a servir na Polícia de Segurança Pública.
Sou uma pessoa que não consegue ver sofrimento, perto de mim e para não ver a minha “santa mãe” a sofrer, no funeral do meu “muy querido” pai (4 anos depois do meu TCE), não chorei uma única lágrima, e acredite que eu AMAVA aquele Homem.

No CRPG, voltei a ter a minha independência (na medida das minhas limitações, entenda-se) e, reparei que há imensos casos diferentes do meu que apenas tem uma coisa em comum: todos foram vítimas de um TCE, cada um à sua maneira e cada um com a evolução possível (mais uma vez se aplica, “cada caso é, um caso”).
Aprendi e continuo a aprender a redireccionar a minha vida em função das limitações que me advieram. Não estou (muito) revoltado com quem me deu um cuidado ou era suposto dar…!
Neste momento estou a fazer um curso de Assistente Administrativo, no CRPG, que penso vou concluir com êxito e que me vai proporcionar “argumentos” para um dia mais tarde, poder lutar pelo lugar que vier a ter no meu novo emprego pois considero que ainda posso dar muito a esta sociedade em que vivemos e na qual começam a escassear os VALORES MORAIS (em meu entender).

Raquel à reconquista da sua autonomia…- Sobrevivente TCE

30/06/2011

Raquel, agora com 23 anos, sofreu um acidente rodoviário por atropelamento numa passadeira.
No Programa “Consigo” da RTP 2 (a partir 10m e 44s), conta como tem sido o seu percurso e recuperação na reconquista da sua autonomia.

Veja aqui o testemunho da Raquel

O caso de uma pequena rapariga que sofreu um traumatismo craniano e o seu caminho para a recuperação com a ajuda da família

“ Ela estava no 12º ano quando recebi uma chamada da polícia a informar que ela (minha irmã mais nova) sofreu um acidente de viação. Desloquei-me de imediato ao Hospital. Ela não respirava pelos seus próprios meios. Necessitou de ser auxiliada por um ventilador e assim começou a sua nova vida…As perguntas surgiram: quanto tempo ela dependerá do ventilador? Dias? Meses? Ninguém sabe… O caso é sério, enfermeiros, assistentes e médicos, ninguém diz uma palavra…

Isto não é um filme que estou a ver. Estou sentada ao lado da minha irmã, sem saber ainda a extensão total dos danos da sua lesão cerebral. Digo lhe palavras de incentivo durante esta jornada. São os 65 minutos mais desgastantes da minha vida. Vê-la sem reacção e imóvel na maca da ambulância a caminho de outro hospital para o qual foi transferida. O acidente deu-se de manhã, de mota, a caminho da escola. Um carro não respeitou o sinal de prioridade e deu se o embate. O acidente foi muito sério.

Lá vamos nós outra vez na ambulância, desta vez para efectuar uma ressonância magnética numa clínica privada. A minha irmã continua inconsciente mas não tenho, nem que seja por um instante, qualquer dúvida que ela vai acordar, eu sei que ela vai. Tenho igualmente noção que o impacto do acidente na cabeça e o facto de ela ainda estar inconsciente vão deixar sequelas. Quando ela acordar, a nossa menina estará diferente. Teremos uma “nova” irmã.

Estamos instaladas na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI). Falo com os médicos mas nenhum arrisca um prognóstico e muito menos sabe o que se vai passar. Dizem-me para esperar e ver como ela progride. Estou determinada a assegurar que ela não perde o contacto com o mundo! Faço os possíveis para ela fazer exercício passivo: movimentar os braços, pernas, mãos e dedos e também coloco música para ela ouvir. Entretanto, requisitamos a presença
de um fisioterapeuta na UCI de modo a ela exercitar mais o corpo.

O tempo vai passando (perto de 1 mês na UCI) e ela continua sem estímulo ou reacção. Mas reparamos que está a ter progressos, muito lentamente, contudo, não deixam de ser progressos. Ela perdeu a memória, não reconhece a família e não percebe o que lhe transmitimos, as palavras que proferimos ao fazermos perguntas. Ela não é a mesma, é como se tivesse nascido outra vez.

Começa a recuperação, reabilitação, reintegração…O recomeçar a aprender tudo de novo: comer, andar, falar, pedir
para ir à WC, etc. Achamos que ela recuperará melhor se estiver perto de casa e então tem alta do Hospital e começa a consultar terapeutas da fala e continuando ao mesmo tempo a fazer fisioterapia. Mais tarde vai começar a aprender a ler e escrever. Entretanto, volta a casa e temos de ter em conta a sua recuperação como pessoa, mulher com direitos humanos e sexuais. O processo de aprendizagem é contínuo, ela tem muito a aprender! O contacto com a família e os amigos é importante para a sua vida social daqui para a frente, tal como estar muito ocupada com actividades que ela gosta de fazer.

Actualmente a nossa pequena tem 36 anos e depois de ter completado vários anos de reabilitação, ela hoje é uma massagista qualificada e com o seu próprio apartamento, embora com assistência. Vive perto de nós (família), o que permite passearmos juntas e conversarmos sobre o dia-a-dia.

Podemos afirmar que foi um renascer para a família. Quanto a ela, continua com a vida toda pela frente para aprender e
crescer.”

Renascer…

23/03/2011

Nuno Raimundo, um jovem que após sofrer um acidente de mota em Outubro de 2007 esteve dois meses em coma e perdeu a fala e a memória, conta a sua experiência.

Veja o seu testemunho

Luis, Pai e cuidador de um sobrevivente de Traumatismo Crânio-Encefálico

06/09/2010

Ao correr da pena:

Estava reunido com o grupo de peregrinos a Fátima, num dos encontros mensais, quando sou confrontado com uma chamada telefónica do filho Nuno, informando da queda, perca de sentidos e intervenção dos bombeiros do filho mais velho, Luís Miguel. Estávamos no dia 04 de Junho de 2006.

Dos cinco irmãos, três jogam horse ball; o mais velho, Luís Miguel, iniciou a prática da modalidade e transmitiu a adrenalina aos outros dois, Nuno e Pedro.
O Luís Miguel a trabalhar em Angola, como director de empresa na área de comunicação e marketing, vem a Lisboa com frequência e nesse fim de semana, veio dar seguimento à sua paixão no desporto o horse ball.

A reunião é interrompida, assim abruptamente e a Maria João, minha mulher e eu, deslocámo-nos do Sobral de Montagraço, para a Beloura/Sintra, para o local da queda do cavalo, sem saber o que nos esperava.
O encontro foi semelhante ao de qualquer outro acidente grave: ambulâcia dos bombeiros, carro do INEM e dezenas chamadas na hora de viagem que mediou entre o local onde estávamos e o local do acidente.

O que nos esperava daí para a frente e durante estes quatro anos, isso sim, tudo novo e surpreendente.
A perca de sentidos; a interrupção na respiração; a chegada ao Hospital S Francisco Xavier; o primeiro contacto com o Neurocirurgião de serviço nas urgências que passa a ser o elo teórico de ligação ao Luís; a entrada no sub mundo dos cuidados intensivos. Dois longos meses de contacto com os “Internistas” responsáveis por aqueles CI; o diagnóstico TCE com lesão axional difusa!

A FALTA DE INFORMAÇÃO; O VAZIO; A AUSÊNCIA DE TUDO REUNIDA NA PALAVRA ESPERANÇA
O debate entre a vida e a morte; as informações controversas; os amigos a quererem, sem saberem como ajudar; a busca na internet de informação; o médico “pivot” neurocirurgião que afinal não é “pivot”, todos os dias é um diferente! E os “Internistas” fantásticos mas sempre a rodar; e a informação: essa sempre diferente: vai ficar hemiplégico; vai ter disturbios na fala; pode morrer; nunca mais vai trabalhar; afinal a lesão não é assim tão grande; afinal “O VAZIO”.

A procura de alternativas aos CI; a mudança dois meses depois para Hospital Egas Moniz! O querer uma evolução rápida; a desinformação; as variações de humor; a percepção do estado “real” de lesão….
Poderia estar aqui a citar um cem número de informação desconexa e de necessidades. A falta de apoio é compensada pelos conhecimentos pessoais que abrem portas para o que julgamos ser a “salvação”: Alcoitão.

Os psicólogos, os neuropsicólogos; os terapeutas da fala, AVD, ocupacional; fisioterapia, hidroterapia; os preços elevados, os gastos sem fim; a desarticulação dos amigos face à frustração no relacionamento; a não compreensão; a falta de estrutura familiar; o Estado indiferente às respostas necessárias da Segurança Social à Saúde.

É este vazio de informação; é o se sentir perdido; é o não conhecer o rumo certo; é a falta de um orientador de um “cuidador”; é tudo isto que se espera resposta na “NOVAMENTE”.

Luis, Pai e cuidador de um sobrevivente de Traumatismo Crânio-Encefálico

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