Dúvidas Frequentes


AFASIA
O que é? Como lidar?

Compreender a família e seu papel
Quais as consequências da lesão na família?
Como reage a família / cuidador à lesão cerebral?

Apoios às famílias
Que apoios poderá encontrar nos recursos da comunidade?
Que apoios técnicos existem disponíveis?

O sobrevivente
Numa fase não aguda após a lesão, que métodos se podem utilizar para ajudar o TCE?
Quais os efeitos mais comuns após um traumatismo craniano médio grave?
Quais os sinais e como lidar com:Confusão
Quais os sinais e como lidar com: Dificuldades de memória
Quais os sinais e como lidar com: Problemas de atenção
Quais os sinais e como lidar com: Dificuldades na tomada de decisão/dificuldades de julgamento
Quais os sinais e como lidar com: Dificuldade em iniciar acções
Quais os sinais e como lidar com: Dificuldade em levar a cabo um plano de acção
Quais os sinais e como lidar com: Dificuldade de autocontrolo, impulsividade ou falta de inibição
Quais os sinais e como lidar com: Falta de consciência de si mesmo
Quais os sinais e como lidar com: Dificuldades com situações sociais
Quais os sinais e como lidar com: Dificuldade em controlar as emoções
Porquê as dificuldades de conversação?
Quais os sinais e como lidar com: Dificuldades na conversação
Quais os sinais e como lidar com: Comunicação não-verbal
Como lidar com: O uso do álcool e drogas após um TCE
É possível vir a ter Epilepsia após um TCE?
O que são e como lidar com: Convulsões generalizadas
Pode-se conduzir após um TCE?
Poderá uma pessoa com lesão cerebral retornar ao trabalho?
Como fazer o regresso à escola?
Como é a Sexualidade após um TCE?

Seguros
Compreender os seguros. Que tipos de seguros, coberturas e respectivas características existem

Leis e direitos
Quais os direitos da pessoa deficiente?
Que lei regula o emprego domiciliário de deficientes?
Que leis existem para a prevenção e reabilitação?
Que prestações por deficiência e dependência concedidas a crianças e jovens existem?
Que apoios concede o Inst.Nacional de Reabilitação para a promoção da reabilitação profissional da pessoa com deficiência?


AFASIA- O que é? Como lidar?
Helena Cunha
Isabel Fonseca

Unidade de Terapia da Fala
Serviço Reabilitação Geral Adultos
Centro Medicina de Reabilitação de Alcoitão
2008
Ver estudo aqui


Quais as consequências da lesão na família?
A lesão cerebral provoca, normalmente, alterações na vida de todos os elementos da família. Poderão ocorrer mudanças a nível:

dos papéis familiares desempenhados: um ou vários elementos da família terão de assumir responsabilidades e tarefas que antes estavam a cargo da outra pessoa, como por exemplo. trabalhar, gerir as finanças, cuidar dos filhos, tratar da gestão doméstica, …
das rotinas: poderão ocorrer alteração das actividades e horários familiares e, consequentemente um dos elementos ficar sobrecarregado.
das relações afectivas: a família tende a centrar a sua atenção nas necessidades da pessoa com lesão cerebral passando as necessidades dos outros elementos para segundo plano. Este envolvimento na reabilitação associado a sentimentos de tristeza e desânimo provoca, normalmente, desgaste emocional em todos os elementos da família.
das relações sociais: o envolvimento na reabilitação e a dificuldade em explicar às outras pessoas as consequência da lesão cerebral leva a progressivo isolamento da família.
financeiro: normalmente um dos elementos deixa de trabalhar para “cuidar” da pessoa com lesão cerebral.



Como reage a família
/ cuidador à lesão cerebral?
Após a lesão cerebral, os membros da família podem experimentar uma série de sentimentos diferentes à medida que tentam lidar com a situação inesperada:

Fase aguda: nas primeiras semanas ou meses os membros da família podem ter sentimentos de pânico, ansiedade, medo, esperança e negação (”isto não nos aconteceu…”). À medida que a condição médica do seu familiar fica mais estável e se inicia a reabilitação esses sentimentos são substituídos por revolta, frustração e tristeza.

Fase pós-aguda: o processo de reabilitação é longo e lento e permite às famílias perceberem que nem todas as consequências da lesão podem ser recuperadas. Este confronto com a existência de défices permanentes pode provocar sentimentos de tristeza e desmotivação. Contudo, a família ganha uma consciência de que algumas mudanças serão permanentes e inicia o processo de aceitação.
Apoiar o familiar com lesão cerebral, comunicar de forma clara e aberta com todos os elementos da família e manter a esperança na reabilitação do seu familiar poderão ser formas de garantir a aceitação e adaptação da família á lesão cerebral.


Que apoios poderá encontrar nos recursos da comunidade?
Apoio domiciliário
O apoio domiciliário consiste na prestação de cuidados no domicílio, a pessoas e famílias que se encontram impossibilitados de dar resposta às suas necessidades e actividades de vida diária (higiene pessoal, alimentação, etc.).
A assistente social do hospital pode ajudá-lo a identificar uma instituição que o apoio neste sentido.
Algumas das instituições às quais poderá recorrer são:

– Centros sociais:
informe-se junto da Câmara Municipal da sua área de residência quais os centros sociais que poderão prestar este apoio
– Cruz Vermelha Portuguesa
– Santa Casa da Misericórdia

Transportes
Devido à dificuldade em voltar a conduzir e a problemas na mobilidade ou na orientação algumas pessoas com lesão cerebral poderão necessitar de apoio para se deslocarem de um lugar para outro.
Existem algumas instituições às quais poderá recorrer além da NOVAMENTE:
– Bombeiros voluntários: dispõem de um serviço de transporte adaptado para pessoas com deficiências e incapacidades. È necessária indicação médica para poder usufruir deste serviço.
– Câmaras Municipais: algumas Câmaras têm programas de apoio ao transporte adaptado. Informe-se junto da câmara da sua área de residência.
– Cruz vermelha portuguesa: Serviço de transporte adaptado

Centros de Actividades Ocupacionais
Algumas pessoas com lesão cerebral irão necessitar de apoio e supervisão ao longo de toda a vida. As famílias poderão necessitar de apoio para a integração social e profissional do seu familiar.
Neste sentido poderá recorrer a:

– Centro de Actividades Ocupacionais
As actividades ocupacionais constituem uma modalidade de acção social, exercida pelo sistema de segurança social. O objectivo é a valorização pessoal e a integração social de pessoas com deficiência grave, permitindo o desenvolvimento possível das suas capacidades, sem vinculação a exigências de rendimento profissional ou de enquadramento normativo de natureza jurídico-laboral” (N.º 1 do art. 1.º do Decreto-Lei 18/89 de 11 de Janeiro).
A assistente social ou um centro de reabilitação poderão ajudá-lo a identificar um centro de actividades ocupacionais na sua área de residência.

Regime de Emprego protegido
O regime de emprego protegido (Decreto-Lei n.º 40/83, de 25 de Janeiro) tem como objectivo proporcionar às pessoas com limitações a sua integração profissional, através da realização de uma actividade útil e remunerada. Poderá obter mais informação sobre a localização dos Centros de Emprego protegidos ou Enclaves da sua área de residência junto dos Centros de Reabilitação, do Instituto de Emprego e Formação Profissional, ou da assistente social.

Pedido de 3ª pessoa
Pedido de reforma por invalidez

A NOVAMENTE, após conhecer o seu caso, poderá apoiar dando mais informação, lidando directamente com as entidades que têm recursos ou entidades médicas, para procurar resposta a problemas. Para além da informação técnica e de apoio social e técnico, a NOVAMENTE poderá direccionar as famílias, cuidadores e TCE´s para apoios úteis e com mais valias para o bem estar e recuperação do sobrevivente e da sua família.

Apoios Sociais

Apoio da NOVAMENTE, Associação de Apoio aos Traumatizados Crânio-Encefálicos e suas famílias



Que apoios técnicos existem disponíveis?

Além de alguns excedentes que a NOVAMENTE guarda existe uma listagem legal com os apoios disponíveis.
Download Apoios técnicos disponíveis


Numa fase não aguda após a lesão, que métodos se podem utilizar para ajudar o TCE?
Depois de uma lesão cerebral, o sujeito poderá sentir a perda de controlo de um ou vários aspectos da sua vida. Esta pessoa poderá sentir-se inferior ou diferente numa relação pessoal ou de trabalho. Uma parceria e cooperação poderão ser muito eficazes para negociar e lidar com as dificuldades de comportamento e de pensamento. Depois de uma lesão cerebral, é importante que os familiares trabalhem como parceiros para desenvolver soluções para as várias dificuldades, através dos seguintes passos:

Prepare um plano de acção

– Envolva o sujeito no planeamento
– Defina responsabilidades
– Utilize instrumentos compensatórios como calendários, agendas ou blocos de notas

Torne as tarefas fáceis

– Subdivida a tarefa em pequenos passos
– Mantenha o contexto de trabalho livre de estímulos distractivos

Utilize o formato da resolução de problemas

– Reconheça que existe um problema
– Defina o problema
– Decida sobre possíveis soluções
– Pese as vantagens e desvantagens de cada opção
– Escolha uma das opções
– Implemente a solução
– Avalie o seu sucesso
– Tente uma outra solução se a primeira não for eficaz

Providencie sempre feedback e reforço

– Avalie o desempenho e devolva gentilmente, mas de forma realista, informação sobre o seu comportamento
– Identifique no imediato os sucessos, assim como as áreas de dificuldade
– Seja sempre sincero, não use subterfúgios para dar informação pouco simpática. A pessoa com lesão cerebral tem dificuldades em fazer juízos sobre si mesmo, é essa ajuda que lhe deveremos prestar,de forma a que se vá tornando mais consciente sobre si mesmo e seja capaz.

Ajuda na Resolução de problemas
– Defina o problema.
_________________________________
1. Avance com possíveis soluções.
2. Pese as vantagens e desvantagens de cada uma das soluções possíveis.
3. Escolha uma solução para pôr em prática
4. Avalie o sucesso da solução
5. Tente uma nova solução se a primeira não estiver a resultar.



Quais os efeitos mais comuns após um traumatismo craniano médio grave?
Comportamento, memória e problemas
de pensamento (raciocínio) após um TCE
A lesão cerebral pode perturbar:
– Vigília (estado de alerta) e a concentração
– Consciência de si
– Percepção
– Memória e aprendizagem
– Raciocínio, planeamento e resolução de problemas
– Discurso e a linguagem
– Controlo motor
– Emoções

A informação que se segue poderá ajudá-lo a familiarizar-se com os problemas de comportamento, memória e de raciocínio com os quais uma pessoa com lesão cerebral poderá confrontar-se. Estão também incluídas técnicas que poderá usar para ajudar a pessoa a realizar as suas tarefas, de forma mais eficaz e confortável na família.
A consistência e a repetição frequente das técnicas listadas irão aumentar as hipóteses de sucesso.



Quais os sinais e como lidar com: Confusão
Sinais
– Confunde os horários das tarefas, a sua sequência temporal.
– Confunde acontecimentos passados com acontecimentos presentes.
– Faz confabulações (constrói histórias consistentes para preencher lacunas na memória, o que não significa a construção de uma mentira intencional).

O que fazer

– Reforce o uso de um bloco de notas / agenda onde a pessoa anote todos os detalhes importantes da sua vida diária.
– Deve recordar, de forma gentil, os correctos detalhes sobre os acontecimentos passados e presente.
– Confirmar, de forma rigorosa as informações com outras pessoas.
– Procurar uma rotina consistente nas tarefas diárias.
– Limitar (evitar) as mudanças na rotina diária.
– Explicar, de forma detalhada, todas as mudanças (mesmo as mais básicas) nos procedimentos de trabalho.



Quais os sinais e como lidar com: Dificuldades de memória
Sinais
– Não consegue recordar as tarefas de um dia para o outro.
– Não consegue lembrar-se de novas informações.

O que fazer

– Definir uma estrutura rotineira das suas tarefas diárias.
– Reforçar a utilização consistente e sistemática dos instrumentos de apoio de memória (agendas; sinalizar as tarefas quando terminadas, etc.).
– Reforçar a pessoa a anotar novas informações no seu bloco de notas.
– Reforçar a consulta da agenda várias vezes ao longo do dia.
– Providencie oportunidades para praticar a utilização de nova informação (tarefas, procedimentos, atitudes, etc.).
– Procure emparelhar (correlacionar) novas informações com outras que o sujeito seja capaz de se recordar.
– Dê “pistas” orais (palavras-chave) para que o sujeito se recorde, se necessário, ajude-o a preencher os seus lapsos de memória.



Quais os sinais e como lidar com: Problemas de atenção
Sinais
– Curta duração da atenção
– Distracção
– Dificuldade em dar atenção a uma ou mais coisas ao
mesmo tempo

O que fazer

– Focalizar-se numa única tarefa de cada vez.
– Assegurar-se que a pessoa está atenta antes de começar uma conversa ou uma tarefa.
– Evitar factores distractivos (ruídos, interrupções, etc.).
– Reforçar qualquer melhoria na duração da sua atenção numa tarefa.
– Quando se aperceber que o sujeito está distraído tente voltar a centrá-lo na tarefa que estava a fazer.
– Evitar mudanças bruscas.
– Solicite que a pessoa repita o que acabou de ouvir, para se assegurar que está a seguir a conversa.
– Defina pequenos períodos de pausa entre pequenos períodos de actividade (ex. 30 minutos de trabalho, 5
minutos de pausa).



Quais os sinais e como lidar com: Dificuldades na tomada de decisão/dificuldades
de julgamento
Sinais
– Hesitações face a tomada de decisão
– Decisões inapropriadas
– Dificuldade de raciocínio lógico
– Ineficácia na resolução de problemas

O que fazer

– Encoraje a pessoa a parar e pensar.
– Utilize o formato de resolução de problemas avançado anteriormente.
– Ajude a pessoa a explorar várias hipóteses de solução.
– Peça para que escreva no seu bloco de notas as alternativas de acção dos problemas que sejam possíveis de prever.
– Analise, em conjunto, as vantagens e desvantagens de cada opção.
– Supervisione a realização desta metodologia de resolução de problemas.



Quais os sinais e como lidar com: Dificuldade em iniciar acções
Sinais
– Tem dificuldade em iniciar acções
– Parece desinteressado ou desmotivado

O que fazer

– Ajude a pessoa a desenvolver uma rotina diária estruturada.
– Sugira alternativas específicas para as tarefas a realizar. Exemplo: prefere fazer A ou B?
– Simplifique as tarefas. Desmonte as tarefas em etapas simples e peça para realizar uma etapa de cada vez.
– Encoraje o uso de uma agenda ou bloco de notas e defina tempos limites específicos para a realização de determinadas tarefas.
– Reforce o sujeito, quando ele iniciar algo sem apoio.
– Defina tempos de realização das tarefas.



Quais os sinais e como lidar com: Dificuldade em levar a cabo um plano de acção
Sinais
– Falta de continuidade na tarefa
– Dificuldade em planear uma sequência de tarefas
– Parece desorganizado

O que fazer

– Comece com projectos pequenos e realistas.
– Inclua a pessoa no planeamento da actividade.
– Providencie uma explicação clara e detalhada da actividade antes de a iniciar.
– Desmonte tarefas complexas em pequenas unidades simples.
– O sujeito deve anotar as várias etapas sequenciais da tarefa.
– Peça ao sujeito para repetir as tarefas que deverá realizar, de forma a certificar-se que entendeu bem as instruções.
– Reforce a ideia de que deverá seguir-se pelo plano que anotou e à medida que vai realizando cada uma das
etapas, no sentido de confirmar o trabalho que está a realizar.
– Repita e explique a sequência das actividades, sempre que necessário.
– É provável que o sujeito necessite de tempo extra para completar as tarefas.



Quais os sinais e como lidar com: Dificuldade de autocontrolo, impulsividade ou falta de inibição
Sinais
– Comportamentos ou discurso com falhas de informação ou com ausência de consciência das suas consequências
– Impulsividade ou julgamentos erróneos
– Comentários inapropriados dirigidos a outras pessoas
– Fixação numa determinada ideia

O que fazer

– Limite as opções de escolha do sujeito.
– Sugira alternativas de comportamento.
– Explique as razões das tarefas.
– Responda imediatamente às ideias quando inapropriadas mas mantenha-se centrado no assunto.
– Encoraje o sujeito a acalmar-se (tranquilizar-se) e a pensar sobre as tarefas que tem de realizar.
– Providencie feedback verbal e não verbal, de forma apoiante, para o assegurar sobre o que está a fazer.
– Se ocorrer algum comportamento indesejado, discuta em privado as suas consequências, de forma apoiante e tranquilizante.
– Reforce positivamente todo o comportamento desejável.



Quais os sinais e como lidar com: Falta de consciência de si mesmo
Sinais
– Falta de consciência das suas limitações
– Auto-imagem e auto-percepção inadequadas

O que fazer

– Antecipe a falta de consciência (insight).
– Dê feedback realista sobre o seu comportamento.
– Utilize de forma generosa feedback positivo.



Quais os sinais e como lidar com: Dificuldades com situações sociais
Sinais
– Agir ou falar sem ter toda a informação necessária, ou quando não considera as consequências.
– Comentários ou comportamento socialmente inapropriados
– Falta de sensibilidade para umas regras sociais de interacção
– Indiferenciação/confusão dos papéis sociais

O que fazer

– Demonstre, de forma clara, quais são as expectativas de comportamento ajustado.
– Exemplifique e ensaie interacções sociais de forma a que se tornem familiares, preditivas e consistentes.
– Defina códigos verbais ou não verbais para assinalar ao sujeito para parar e pensar
– Encoraje o sujeito a parar e pensar sobre as respostas possíveis e ajustadas.
– Convide-o a considerar as consequências do seu comportamento.
– Reforce positivamente os comportamentos ajustados.
– Faça uma pausa, quando forem evidentes sentimentos de frustração (de forma a prevenir).
– Responda imediatamente às ideias, quando elas são inapropriadas, mas não se descentre do que interessa.
– Se ocorrer algum comportamento indesejável, fale em privado de forma calma e confiante sobre o acontecido e as suas consequências.
– Seja realista nas suas expectativas.



Quais os sinais e como lidar com: Dificuldade em controlar as emoções
Sinais
– Mudanças de “humor” desde a ansiedade, à tristeza ou zanga.
– Choro ou riso inapropriados
– Baixa tolerância à frustração

O que fazer

– Tente antecipar o que é inesperado.
– Mantenha-se num registo de calma, tranquilidade quando ocorrem as “explosões” emocionais.
– Leve o sujeito para um local tranquilo onde tenha tempo de se acalmar e recuperar o controlo.
– Dê feedback sobre o que se passou de forma gentil e apoiante depois do sujeito ter recuperado o controlo.
– Evite comparações entre comportamentos passados e actuais.
– Subtilmente direccione o seu comportamento para outra actividade.
– Utilize o humor de forma positiva e apoiante.
– Reconheça que o sujeito poderá utilizar comentários negativos ou a recusa como forma de controlo da
situação.
– Compreenda que a lesão cerebral, normalmente, previne o sujeito de se sentir culpado ou empático.
– Reconhecer as suas próprias reacções emocionais que tem em relação ao outro (aquele de quem cuida).



Porquê as dificuldades de conversação?
A lesão cerebral pode afectar a forma como o sujeito comunica. As dificuldades com a comunicação podem ser causadas por diferentes factores, incluindo mudanças a nível das competências de pensamento e de comportamento, resolução de problemas, capacidade de julgamento, raciocínio, estado de alerta/consciência do mundo que o rodeia, memória e consciência de si. A linguagem e o discurso podem ser afectados directamente pela lesão cerebral. Através da linguagem, o sujeito recebe e expressa ideias. A linguagem está intimamente ligada com a cognição (capacidade de pensamento) e envolve a compreensão, fala, leitura e a escrita. O sujeito com lesão cerebral poderá ter alterações numa ou nas várias áreas mencionadas. Estas alterações irão afectar a forma como sujeito comunica. A severidade e a combinação dos problemas variam de sujeito para sujeito.



Quais os sinais e como lidar com: Dificuldades na conversação
Sinais
– Não responde à conversação de outra pessoa, perguntas ou comentários.
– Não inicia conversações ou é muito lento a fazer perguntas ou comentários.
– Faz pausas longas no discurso
– Tem dificuldade em explicar as suas ideias

O que fazer

– Encoraje o sujeito a participar oralmente. Ex. “O que te parece?”.
– Faça perguntas abertas, como: Fala-me sobre ____.”
– Dê tempo ao sujeito para organizar o seu pensamento.
– Dê toda a sua atenção e tempo para completar o pensamento.
– Reformule o que ele lhe diz, de forma a certificar-se que entendeu bem a mensagem; Ex.: “O que quer
dizer é ____”.

Quais os sinais e como lidar com:Seguir uma conversação
Sinais
– Tem dificuldade em manter a atenção no que lhe está a ser dito
– Interpreta erradamente o que lhe é dito

O que fazer

– Conseguir a atenção do sujeito antes de começar a falar.
– Seja claro e conciso.
– Reduza as distracções.
– Enfatize a informação que é importante.
– Repita o que vai dizendo.
– Peça para olhar para si quando fala.
– Incentive o sujeito a fazer perguntas, sempre que ele não entenda o que lhe é dito.

Quais os sinais e como lidar com: Participar numa conversação
Sinais
– Conversações “non-stop” não permitem a troca de papéis entre receptor e emissor
– O sujeito não mostra ajustamento no estilo ou comportamento para com as diferentes situações

O que fazer

– Interrompa, delicadamente, e peça a palavra.
– Faça afirmações tipo: “Resuma”, “Sintetize”.

Quais os sinais e como lidar com: Inteligibilidade
Sinais
– Fala “mastigada” (indistinta)
– Discurso demasiado lento ou baixo, tornando-se difícil entender.
– Fala demasiado rápida

O que fazer

– Diga ao sujeito que não entendeu e peça para ele repetir o que tinha dito.
– Defina o uso consistente de gestos ou pistas com significados inequívocos. Ex.: colocar a mão atrás da
orelha para lembrar o sujeito que deve falar mais alto
– Se a repetição da mesma palavra não permitir compreender o seu significado, peça para explicar por outras palavras.



Quais os sinais e como lidar com: Comunicação não-verbal
Sinais
– Parece não entender o significado dos gestos mais comuns
– Permanece demasiado longe ou demasiado perto da pessoa com a qual está a falar
– Estabelece contactos físicos desconfortáveis com as outras pessoas (ou pelo tipo ou pela sua quantidade)
– A linguagem corporal não coincide com o que está a ser dito
– A expressão facial não coincide com o que está a dizer
– Movimentos corporais excessivos, distractivos ou repetitivos
– Pouco contacto ocular
– Fixa o olhar (de forma insistente) na pessoa que está a falar

O que fazer

– Peça ao sujeito para manter uma distância confortável.
– Peça, com delicadeza, para que modifique o seu contacto físico e explique porquê (é desconfortável, fica
pouco à vontade, etc.).
– Diga, claramente, que fica confundido com a diferença entre a mensagem que é transmitida oralmente e
a não-verbal.
– Peça ao sujeito para controlar os seus movimentos distractivos.



Como lidar com:
O uso do álcool e drogas após um TCE
A lesão cerebral pode afectar o pensamento e o controle das emoções. Se um sujeito com lesão cerebral bebe álcool, consome drogas ilícitas ou lícitas em excesso, isso poderá interferir ainda mais com o processo de pensamento e poderá resultar em sérios danos para as células cerebrais. A consequência é aumentar os danos da lesão já existente. O consumo de álcool e / ou drogas podem perturbar:
– Estado de alerta e concentração
– Auto-percepção
– Percepção do que o rodeia
– Memória e aprendizagem
– Raciocínio, planeamento e resolução de problemas.
Os familiares desempenham um papel importante na ajuda à abstinência por parte do sujeito com lesão cerebral. O uso de substâncias deve ser encarado seriamente e não como uma fase passageira. É, com certeza, uma tarefa difícil, mas os familiares e amigos desempenham um papel importante na prevenção dos consumos. Uma das coisas que pode ajudar é antecipar situações em que a pessoa pode ser levada a consumir e evitá-las ou treinar a recusa.



É possível vir a ter Epilepsia após um TCE?
Uma outra consequência possível da lesão cerebral é a epilepsia pós-traumática (EPT). As crises epilépticas podem ser causadas por uma descarga eléctrica repentina e excessiva sobre as células cerebrais.
O risco de desenvolver este tipo de epilepsia está relacionado com a severidade e as características da lesão. A maior probabilidade de desenvolver EPT existe durante os primeiros dois anos após a lesão. A partir dessa altura, vai gradualmente diminuindo. Esta consequência encontra-se em mais de 10% das pessoas que sofreram um TCE.



O que são e como lidar com: Convulsões generalizadas
a) grande mal

Normalmente, envolve convulsões involuntárias, incontinência e perda de consciência. Muitas destas crises são auto limitadas e duram apenas breves minutos. A pessoa pode gritar, cair, ter movimentos rítmicos convulsivos, pode ficar corado ou de cor azulada e ter dificuldade em respirar. Tente manter-se calmo e adoptar as seguintes etapas de comportamento:
1. Assegurar-se que a pessoa se encontra numa zona segura e colocar qualquer coisa macia por baixo da sua
cabeça (se caiu).
2. Desapertar roupas que estejam demasiado justas, como cintos, gravatas ou outras.
3. Retirar objectos perigosos que se encontrem por perto.
4. Coloque o sujeito de lado e tente manter o queixo afastado do peito. Isto permitirá a drenagem de saliva da boca.
5. Nunca coloque os seus dedos, ou qualquer objecto dentro da boca do sujeito.
6. Não prenda/agarre a pessoa. Você não poderá parar a crise.
Após a crise, o sujeito estará um pouco confuso sobre o que se sucedeu. Não ofereça comida nem bebidas ou qualquer medicação até que este esteja completamente acordado e consciente. Alguém deverá permanecer com o sujeito até que ele se sinta completamente recuperado. Procure identificação médica que o sujeito possa transportar consigo (num fio ou pulseira).
Ligue para as emergências médicas nas seguintes circunstâncias:
1. O sujeito não consegue respirar, é necessário fazer respiração boca-a-boca.
2. A recuperação da primeira crise ainda não se deu e há início de uma segunda crise.
3. O sujeito magoou-se durante a crise.
4. A pessoa acordou e pediu uma ambulância para ser assistido por pessoal médico.
5. As crise duram mais do que 5 minutos sem interrupção.
Também será recomendável chamar assistência médica se souber que foi a sua primeira crise epiléptica.

b)Pequeno mal
Crises Parciais Complexas: podem envolver a perda de consciência, respostas verbais inapropriadas, movimentos sem sentido.
Crises Parciais Simples: movimentos involuntários de uma parte do corpo sem perda de consciência. Estas convulsões podem alastrar-se às restantes partes do corpo e tornarem-se generalizadas.
Adopte o seguinte procedimento, nas situações acima descritas:
1. Não tente agarrar a pessoa, exceptuando se a sua segurança estiver em perigo.
2. Remova objectos perigosos que estejam por perto.
3. Alguém deverá ficar a observar a pessoa até que recupere totalmente a consciência.
Normalmente não é necessária assistência médica em situações de crises parciais, excepto quando de uma crise se passe para outra em contínuo, ou quando de parcial se torna generalizado e a pessoa não recupera.



Pode-se conduzir após um TCE?
A lesão cerebral poderá ter provocado danos a nível físico, cognitivo e/ou de visão, ou epilepsia pós-traumática que tornam a condução insegura. Por esta razão, a permissão para conduzir poderá ser retirada.
As mesmas questões que se levantam em relação à condução colocam-se também para outras situações. Devemos estar atentos sobre actividades que poderão pôr em risco a segurança do próprio e dos outros, como, por exemplo, o manuseamento de máquinas perigosas.



Poderá uma pessoa com lesão cerebral retornar ao trabalho?
A resposta depende do sujeito e da extensão da lesão. A lesão cerebral pode causar muitas mudanças no comportamento, nas emoções e na capacidade de raciocínio. Pode ser difícil manter um emprego, mesmo que seja o mesmo trabalho que fazia antes da lesão. Independentemente de a pessoa retornar ou não ao trabalho, a exploração das suas capacidades, das suas aptidões e dos seus interesses e a hipótese de organizar actividades em que a pessoa possa pôr em prática e desenvolver essas capacidades tornarão a sua vida mais gratificante. Isto pode ser feito através de trabalho remunerado ou através de actividades voluntárias. Tudo dependerá da situação particular de cada pessoa. O trabalho é definido como uma actividade produtiva e desempenha um papel muito importante na vida da maioria das pessoas. O trabalho pode providenciar vários benefícios, tais como: um sentimento de realização, reconhecimento, responsabilidade, independência financeira, interacção social e uma estrutura. As pessoas que normalmente retornam ao trabalho são mais saudáveis e têm uma auto-estima mais elevada, do que aquelas que não retornam.
O retorno ao trabalho após um TCE depende de vários factores:
– disponibilidade de emprego
– saúde
– desejo / vontade de trabalhar
– capacidades físicas
– capacidade de adaptação à mudança
– ajustamento social e comportamental (controle de comportamentos e boa interacção social)
– capacidade de raciocinar e de resolver problemas
– percepção realista das suas capacidades e dos seus défices
– capacidades e interesses vocacionais
– vontade e disponibilidade de formação
– disponibilidade do empregador em adaptar ou o posto de trabalho ou a função
O retorno ao trabalho pode ser desafiante e gratificante. A equipa de reabilitação procurará desenvolver as competências de empregabilidade de forma a que o sujeito com lesão cerebral possa obter um trabalho e mantê-lo.



Como fazer o regresso à escola?
Para as crianças e adolescentes, o retorno à escola é importante em termos educativos e em termos sociais. Na escola os jovens fazem amigos, desenvolvem a sua capacidade de interacção social, estimulam as capacidades cognitivas e aumentam o seu conhecimento. Por vezes, os efeitos de uma lesão cerebral não são logo visíveis em crianças pequenas, mas tornam-se mais evidentes em idades mais avançadas quando as exigências cognitivas e sociais são maiores.
O nosso sistema educativo actual apesar de prever a integração das crianças com necessidades especiais no regime escolar normal, por vezes, não está familiarizado com as necessidades específicas de uma criança ou jovem com lesão cerebral. Os professores do ensino especial em conjunto com os psicólogos escolares deveriam apoiar os restantes professores no acompanhamento destas crianças.
Há algumas adaptações comuns nestes casos:
– tempo extra para a realização de provas, de forma a compensar um ritmo de pensamento e execução mais
lento.
– realização de provas em privado, em ambientes livres de estímulos distractivos, para crianças/jovens com
problemas de concentração.
– colocação em turmas com menos alunos.
– gravação áudio das aulas de forma a compensar problemas de concentração e de memória.
– ter acesso aos apontamentos dos professores ou dos colegas de forma a compensar a eventual dificuldade
em estar atento ao que está a ser dito e escrever em simultâneo O profissional de reabilitação poderá apoiar a família na mobilização destes recursos escolares para apoio do retorno à escola.



Como é a Sexualidade após um TCE?
Os sentimentos de amor, carinho e desejo sexuais são sentimentos humanos saudáveis. Se estes desejos não são compreendidos ou expressos, podem surgir sentimentos de confusão, stress e podem surgir sentimentos ou comportamentos inadequados. Desde o início do processo de reabilitação deverá haver uma atenção especial sobre a relação do membro com lesão e os outros membros do agregado familiar. Pode dar-se o caso do cônjuge do sujeito com TCE estar a desenvolver uma relação como se fosse um pai/mãe; ou estar a lidar com um adulto como se fosse uma criança. É normal que fique perplexo com as alterações do seu companheiro. Ele(a) pode não estar a agir de forma diferente. Sentimentos de confusão, raiva, frustração são comuns. Falar com alguém que lhe é próximo, ou com um profissional, sobre o que se está a passar pode
ser de grande ajuda. A sexualidade envolve a forma como as pessoas expressam a sua identidade enquanto homem ou mulher, através dos actos sexuais, das atitudes e comportamentos nas relações.
Desde a infância vamos tomando consciência das diferenças sexuais. Somos ensinados directa e indirectamente como nos devemos comportar com o sexo oposto. A capacidade em expressar esses comportamentos aprendidos pode ter sido perdida após um TCE. Um adulto com lesão cerebral pode
não entender quando é conveniente e quando não é beijar, abraçar ou tocar nas outras pessoas.
A questão da sexualidade embora não seja fácil de discutir é uma questão muito importante. Os objectivos da reabilitação para pessoas com lesão cerebral incluem independência, autonomia e o estabelecimento de relações interpessoais saudáveis. A capacidade para desenvolver e manter relações sociais é capaz de ser a medida de sucesso da reabilitação mais importante, pelo que, o reconhecimentos de sentimentos de afecto são de grande importância. A maioria das pessoa identificam dificuldades em falar sobre o tema da sexualidade. O parente mais próximo é normalmente a pessoa mais eficaz para se envolver directamente
na reaprendizagem da expressão adequada dos sentimentos e da sexualidade da pessoa com lesão cerebral.



Compreender os seguros. Que tipos de seguros, coberturas e respectivas características existem.
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Quais os direitos da pessoa deficiente?
Portugal aderiu à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU que visa garantir os direitos das pessoas com deficiência, passando esses direitos a ser aplicados em Portugal
http://www.inr.pt/uploads/docs/direitosfundamentais/convencao/ConvTxtOfPort.pdf



Que Lei regula o emprego domiciliário de deficientes?
Lei n.º 31/98 . É a lei que estabelece o regime de incentivos ao emprego domiciliário de trabalhadores portadores de deficiência: http://dre.pt/pdf1sdip/1998/07/159A00/33253325.pdf



Que leis existem para a prevenção e reabilitação?
Existe o Decreto-Lei n.º 38/2004 que define as intenções bases gerais do regime jurídico de prevenção, reabilitação e participação da pessoa com deficiência.
http://dre.pt/pdf1sdip/2004/08/194A00/52325236.pdf


Que prestações por deficiência e dependência concedidas a crianças e jovens existem?

Subsidio-de-assistência-a-filhos-com-deficiência.pdf

Bonificação-para-crianças-com-deficiência.pdf

Info:Portal do cidadão



Que apoios concede o Inst.Nacional de Reabilitação para a promoção da reabilitação profissional da pessoa com deficiência?
O acesso aos apoios concedidos pelo IEFP no âmbito da promoção da reabilitação profissional das pessoas com deficiência está regulado pelo seguinte Regulamento:
http://www.iefp.pt/formacao/Prog_Qualif_Pessoas_Def_Incap/Documents/PQPDI_Regulamento_2010.pdf

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